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Analice Nicolau
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Advogado Vitor Lanna explica que o “trabalho invisível” é um novo problema para mães que requisitam pensões no Brasil

Segundo o profissional que é especializado em resolver problemas familiares, as mulheres têm enfrentado mais um obstáculo na hora de requererem o direito na Justiça.

Analice Nicolau

24/06/2023 13h00

A mulher que é mãe solo tem que administrar toda a vida do filho sozinha. E ainda cuidar das próprias tarefas, inclusive trabalho, mas nem todas essas funções são levadas em conta na hora de um cálculo de pensão, por exemplo.

Os “extras”, que na verdade são essenciais para a manutenção do vínculo familiar, são chamados os “trabalhos invisíveis”, como explica o advogado Vitor Lanna.

Essas tarefas que não são computadas levam em consideração, por exemplo, tempo de trabalhos extracurriculares das crianças, idas a médicos e a outras atividades que não escolas, a administração da agenda extracurricular e afins.

“O ‘trabalho invisível’, na verdade, nem é levado em conta na hora de um cálculo de proporcionalidade (de pensão), então leva a uma desproporcionalidade de todos os valores. Porque a mulher além de todas as tarefas tem que contribuir nesse ‘trabalho invisível’, como falamos”, esclarece.

Segundo o especialista, a situação da maternidade solo é um problema social que vem só piorando no Brasil. Só para se ter ideia, 7 em cada mulheres no País são mães. Destas, metade é mãe solo.

“Essa situação da maternidade solo está cada vez mais comum. Eu atendo mais de 2 mil mulheres e mais de 80% delas têm casos de mães solteiras”, lamenta.

“Acaba sendo um problema social e vira um problema para o judiciário. A mãe solo tem esse trabalho que ninguém vê, que é usar seu esforço para cuidar da criança, acompanhar em médicos, na escola, administrar toda a vida da criança e ainda trabalhar”, reitera.

Um estudo ainda mostra que a maioria das mães no Brasil é solteira, viúva ou divorciada (55% do total), enquanto outros 45% vivem com um companheiro ou companheira.

Para o advogado, Justiça precisa equilibrar todos os cuidados que englobam os filhos na hora de compartilhar o que é dever de quem em um eventual ex-casal. “Quando a gente vê o desequilíbrio que é, até a nível nacional e de mercado de trabalho, o preço maior quem geralmente paga é a mulher”, conclui.

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