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Analice Nicolau
Analice Nicolau

A democratização da inovação bate à porta das pequenas empresas

Analice Nicolau

04/09/2025 15h08

Valter Pieraccini, CEO da Pieraccini Consultoria

BNDES e Senai anunciam aporte de R$ 56 milhões para MPMEs

Inovar não pode ser privilégio de poucos. Quando falamos em Indústria 4.0, termos como inteligência artificial, internet das coisas, big data e automação parecem distantes da realidade de micro, pequenas e médias empresas brasileiras. Mas o anúncio recente do BNDES e do Senai, que vão investir R$ 56 milhões em recursos não reembolsáveis voltados exatamente para essas empresas, mostra que esse futuro pode estar mais próximo, e acessível.

Essa é uma notícia que toca diretamente no coração da competitividade nacional. Ao abrir espaço para que pequenas indústrias testem e validem soluções avançadas, o Brasil dá um passo importante para reduzir a distância tecnológica entre gigantes globais e negócios que ainda hoje lutam com margens apertadas e processos manuais.

Para Valter Pieracciani, CEO da Pieracciani Consultoria, referência nacional em inovação e funding, essa iniciativa é um divisor de águas. Com mais de 700 projetos conduzidos para mais de 350 empresas brasileiras, ele sabe que o maior desafio não é a criatividade, mas sim o acesso. “Podemos falar em uma verdadeira democratização da inovação. Esse aporte ajuda a quebrar a barreira de entrada das MPMEs às tecnologias mais avançadas. São R$ 56 milhões que podem aproximar startups tecnológicas das fábricas brasileiras, transformando ideias em soluções práticas com impacto direto na produtividade”, ressalta.

Valter Pieracciani, CEO da Pieracciani consultoria

O edital, no entanto, vai além do investimento. Ele traz uma exigência que muda o jogo: toda solução apoiada deve ser testada em pelo menos 12 micro ou pequenas empresas. Isso significa que a inovação deixa de ser conceito de laboratório e se torna experiência viva, aplicada no chão de fábrica. “A validação em ambiente real é o que transforma tecnologia em competitividade. Nesse processo, as MPMEs deixam de ser coadjuvantes e assumem papel de protagonistas da Indústria 4.0”, explica Pieracciani.

Mais do que cifras, estamos diante de um movimento que dá voz ao pequeno empreendedor, aquele que move boa parte do Brasil. Se a inovação chegar de fato a esse universo, não será apenas a produtividade que vai crescer, será também a autoestima de um país capaz de transformar potencial em futuro.

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