Não se sabe ao certo a origem da dança do ventre, mas a hipótese mais aceita é que ela tenha surgido em regiões do Oriente Médio e do norte da África. Acredita-se que atividade fazia parte de um ritual de caráter religioso no qual a vida era celebrada e a fertilidade atraída. Também há relatos sobre a prática ser uma preparação para mulheres serem mães.

Cinthia Santos é professora de dança do ventre há 25 anos. Crédito: Reprodução/Arquivo pessoal
No Brasil a atividade se popularizou na época que a novela “O Clone” foi exibida na Rede Globo. Na trama, a personagem vivida por Giovanna Antonelli, praticava a dança que é caracterizada por movimentos de contração, ondulação e vibração. As cenas em que Jade dançava fazem parte até hoje do imaginário coletivo brasileiro quando o assunto é dança do ventre.
Mas se engana quem acredita que prática ficou no passado, muitas pessoas ainda buscam essa atividade para exercitar o corpo e mente. Aline Lopes é terapeuta oracular e faz aulas de dança do ventre há um ano e meio, ela procurou o exercício pois vivenciava um momento difícil. “Eu estava passando por um processo de luto pelo falecimento da minha avó devido à covid-19 e todo esse processo mexeu muito comigo, principalmente na parte psicológica, eu estava em estado depressivo”

Camila Lima faz aulas de dança do ventre com Cinthia na Escola de Danças New Style. Crédito: Reprodução/Arquivo pessoal
Além do fator psicológico, o fator físico foi crucial para a terapeuta oracular buscar a dança a princípio como um hobby. Ela tem um longo histórico de atividades físicas que praticou durante toda a vida. Começou com o balé, passou pela natação, lutas como capoeira e jiu-jitsu, também fez ioga, musculação e corridas em cavalos. “Tive algumas lesões nos joelhos devido a queda de cavalo e ao atrito no tatame, estava em busca de alguma atividade física mais leve para não sobrecarregar os joelhos e também para espairecer”.
A professora de Aline, Cinthia Santos explica os benéficos da prática. “Primeiramente, citamos a feminilidade, além de auxiliar diretamente na diminuição do estresse, manter o corpo ativo e principalmente o bem-estar consigo mesma, possibilitando a se respeitar e ter uma relação mais íntima e de amor-próprio, além de ser uma atividade física”
Camila Lima é pedagoga e também faz aulas de dança do ventre com a Cinthia, ela começou a fazer a atividade há um ano e meio. Por causa da vergonha inicial, ela decidiu chamar sua filha para acompanhá-la, até hoje Sabryna e mãe fazem a dança juntas.

Aline Lopes é aluna de Cinthia e faz aulas de dança do ventre há um ano e meio. Crédito: Reprodução/Arquivo pessoal
A pedagoga destaca a diferenças que sentiu em sua vida após começar a prática. “Muitas coisas mudaram desde a primeira aula, aquela mulher que eu havia guardado aqui dentro de mim está voltando a existir, a se amar, a se achar bonita novamente. Isso reflete positivamente no meu relacionamento com o meu esposo, ele sempre me apoia em tudo, está sempre presente nas minhas apresentações. Minha filha e eu ficamos mais próximas, juntas nós nos apoiamos, nos incentivamos, somos mais parceiras e felizes dançando”
Já Aline viu mudanças não só em sua vida, mas também em seu corpo. Ela emagreceu bastante, sentiu melhora na sua postura e conseguiu fortalecer a musculatura da perna que impactavam diretamente na dor do joelho que agora reduziu significativamente.

Camila, Cinthia e Aline durante ensaio na Escola de Danças New Style. Crédito: Reprodução/Arquivo pessoal
Hoje para a terapeuta oracular a atividade é muito mais que um hobby, ela mergulhou de cabeça em toda a cultura que a dança do ventre proporciona. “Tem a história, os ritmos, os figurinos, tudo isso precisa ser estudado e muito, porque na execução de uma coreografia os movimentos precisam estar em sintonia com tudo isso”
Cinthia explica que há diferentes estilos de dança do ventre e ressalta que cada aluna pode aprender todos eles ou se dedicar a apenas um. “Temos a tradicional, a fusionada, a clássica e a moderna”. Cada estilo tem suas próprias características culturais que se refletem nas coreografias.
Apesar de dançarem em grupo, Camila relembra a importância da individualidade na hora da execução dos movimentos e o impacto da dança na autoestima. “A coreografia pode ser a mesma, mas a maneira que cada uma vai dançar sempre será única, cada mulher tem sua essência. Quando percebemos o quanto nos tornamos livres dançando, isso nos deixa mais fortes e corajosas, nos superamos a cada aula, superamos as dificuldades em executar um movimento de maneira correta, superamos as dificuldades de equilíbrio corporal e mental, é maravilhoso viver tudo isso”.

Alunos e professoras que participaram do espetáculo “Girls” realizado pela Escola de Danças New Style. Crédito: Reprodução/Arquivo pessoal
Cinthia é professora de dança do ventre há 25 anos, ela é proprietária da Escola de Danças New Style, localizada região do Tatuapé, em São Paulo. A escola tem mais de 20 anos de tradição no ensino especializado de dança árabe e já realizou participação em festivais nacionais e internacionais. Além disso, a escola oferece aulas de jazz, axé e circle dance para o público de todos os gêneros e todas as idades.
Saiba mais detalhes no perfil do Instagram @escola_new_style (https://www.instagram.com/escola_new_style/)