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Quebra no ritmo: 33 dias sem corridas e prejuízos para a F1  

F1 entra em “modo espera”, perde ritmo, receita e previsibilidade com lacuna inédita após cancelamento de GPs no Oriente Médio

João Luiz da Fonseca

05/04/2026 13h25

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(Foto: F1)

A temporada 2026 da Fórmula 1 sofreu uma reviravolta inesperada com o cancelamento de duas etapas importantes do calendário neste mês de abril, causando um vazio inédito no cronograma e obrigando equipes e pilotos a repensarem sua rotina em pleno ritmo de campeonato. 

As provas do Bahrein e da Arábia Saudita, previstas para os dias 12 e 19, respectivamente, foram oficialmente desmarcadas em função da escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo tensões militares entre Estados Unidos, Israel e Irã.  

Com isso, o calendário foi reduzido de 24 para 22 corridas e criou-se um intervalo de cerca de cinco semanas entre o GP do Japão, realizado no fim de março, e o GP de Miami, no início de maio.  

Há ainda outro fator agravante: uma pausa de três semanas entre Miami e o GP do Canadá (marcado para 24 de maio), o que significa que haverá apenas uma corrida em sete semanas. 

A Fórmula 1 chegou a considerar a possibilidade de realizar GPs em locais alternativos para preencher a lacuna, com Imola, Portimão e Istambul sendo algumas das cidades cogitadas, mas acabou descartando a ideia, e acrescentou que a situação continua sendo monitorada para as demais provas da região, como Catar e Abu Dhabi, que encerram o campeonato. 

Impactos 

 
O cancelamento de duas corridas não fica sem consequências para a F1 e as equipes, afetando a logística, as finanças e o regulamento.  

Além disso, há um impacto financeiro significativo, já que as provas suspensas representam a perda de receitas importantes para a categoria e para os organizadores locais. 

A estimativa é de que o dano supere a casa de R$1 bilhão em receita bruta para a Liberty Media, uma vez que as taxas de promoção de corrida nessas regiões estão entre as mais altas do calendário. 

Do ponto de vista das equipes, considerando que elas recebem cerca de metade dos lucros totais da F1 em prêmios, isso significa também uma perda de vários milhões de dólares para cada uma. Parte desse valor, contudo, será compensado pela redução de custos por não terem que competir nesses dois eventos, como gastos com viagens, transporte e reposição de peças. 

Equipes não param  

Sem a sequência natural de corridas, os times agora enfrentam alterações estratégias de desenvolvimento dos carros e preparação física dos pilotos. 

Para as equipes que começaram a temporada em desvantagem, o intervalo pode representar uma oportunidade de evolução técnica. Já para aquelas que vinham em boa fase, a interrupção pode quebrar o ritmo competitivo e esfriar o embalo conquistado nas primeiras etapas. 

Mas, para todas, o regime de trabalho nas fábricas já está a todo vapor, voltado à melhorias aerodinâmicas e de redução de peso, algo em que a Williams, por exemplo, está bastante focada. 

Já a Ferrari está aproveitando o mês para realizar duas sessões de testes, sendo a primeira já ocorrida no dia 1°, em Mugello, com um carro de 2025. 

A Red Bull, por sua vez, pretende usar a pausa para tomar atitudes visando uma reação, dado ao início de temporada turbulento. O chefe da equipe, Laurent Mekies, afirmou que o foco agora está em uma análise detalhada do desempenho recente e na busca por soluções técnicas. 

Por outro lado, o novo programa de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO) criado pela Fórmula 1 para oferecer uma chance às montadoras que estão atrasadas implementarem melhorias em seus motores, não poderá ser utilizado. 

Isso porque, segundo as regras, o programa entra em vigor após as corridas 6, 12, 18 e 24, baseando-se na divisão do ano em quatro partes iguais. Mas esses números agora serão afetados pelo cancelamento de dois eventos. 

Assim, o que em teoria deveria ter sido uma oportunidade para trazer um motor melhorado para depois da sexta corrida – o Grande Prêmio de Miami – agora, em teoria, significa que ele só chegará depois do Grande Prêmio de Mônaco, em 7 de junho, o que não é ideal para nenhum fabricante ávido por reduzir rapidamente sua diferença para os líderes. 

Ou seja, enquanto o circo da Fórmula 1 aguarda o retorno das atividades na Flórida, o mês sem corridas deixa de ser apenas um intervalo — e passa a ser um período estratégico que pode redefinir os rumos da temporada. 

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