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Pré-temporada F1 2026: tudo encerrado, nada esclarecido

Testes da Fórmula 1 de 2026 no deserto chegou ao fim, mas cada uma das equipes de ponta afirma que o adversário leva vantagem: ‘muita areia pro caminhãozinho’?

João Luiz da Fonseca

22/02/2026 11h38

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Foto: F1

Por João Luiz da Fonseca*

jluizfonseca@uol.com.br

Após a conclusão da segunda semana de testes de pré-temporada no Bahrein, o cenário na Fórmula 1 permanece indefinido. Embora a Ferrari tenha registrado os melhores tempos, os chefes de equipe e pilotos continuam evitando proclamar favoritismo.

“Em termos de performance, ainda é difícil entender onde realmente estamos, porque as equipes estão escondendo seu verdadeiro ritmo”, afirmou Charles Leclerc, apesar de ter sido o mais rápido da semana no circuito de Sakhir e da equipe despontar como o grande destaque do encerramento da pré-temporada, combinando velocidade e consistência em simulação de corrida. O monegasco terminou com a marca  de 1:31.992 no último dia e foi o único abaixo de 1:32.  

Não há dúvida de que a Ferrari é um carro competitivo e mostra estar na vanguarda em termos de inovações técnicas, sobretudo ao surpreender com uma nova peça que se tornou o assunto mais comentado nas redes sociais logo que surgiu na pista .

No segundo dia de testes, a equipe de Maranello deu um passo além com a estreia de uma asa traseira pra lá de radical.

Os elementos da asa giram cerca de 225 graus, criando o efeito único de girar de “cabeça para baixo”. 

A configuração, apesar de estranha, foi considerada legal, com o diretor técnico da FIA, Nikolas Tombazis, dando um sinal verde provisório: “Acreditamos que a solução da Ferrari está correta”, avaliou, destacando a liberdade concedida às equipes nessa área específica.

Dentro e fora do grid a peça pegou todos de surpresa. “Eu vi e pensei: ‘Caramba, o que aconteceu?'”, reagiu o piloto da Haas, Ollie Bearman, ao ver a asa traseira da Ferrari de Lewis Hamilton se abrir à sua frente na pista.

E mesmo com toda essa revolução e resultados positivos no encerramento dos testes, o chefe da equipe, Fred Vasseur, ainda insiste em afirmar que é difícil ter uma imagem clara da performance, reforçando que os times continuam escondendo o jogo.

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Foto: F1

Em termos de números de voltas, Oscar Piastri foi o que mais andou no circuito, com 437 giros na soma das duas semanas de testes no deserto. Mas isso também parece não significar muita coisa para a equipe.

“Não somos os favoritos. Acho que Ferrari e Mercedes, neste momento, são as duas equipes mais prontas e mais rápidas”, afirmou o chefe Andrea Stella, enquanto o CEO Zak Brown previu que a McLaren estará entre as “quatro grandes”, mas não na frente.

O time papaia revelou que está preparando algumas atualizações para o GP da Austrália, com o objetivo de reduzir o peso do MCL40.

Dentro do atual panorama, a expectativa é que as quatro equipes líderes fiquem relativamente próximas umas das outras, talvez separadas por apenas alguns décimos de segundo, e que haja uma margem de pelo menos um segundo para as demais.

Ao terminar apenas 0.8s atrás da Ferrari, a Mercedes é vista por muitos no paddock como a força a ser batida devido à consistência e potência de seu novo motor, que confere aos carros um ritmo consideravelmente melhor. Dessa forma, a aposta é que o time de Brackley chegará ao Grande Prêmio da Austrália como favorito.

Mas não é o que pensa Toto Wolff, que continua mantendo uma postura cautelosa e se diz como uma pessoa “com o copo meio vazio” no que diz respeito ao desempenho em testes. 

Totto afirma estar ciente de que as expectativas podem estar no lugar errado, preferindo aguardar as primeiras corridas. “O cenário competitivo permanece semelhante ao dos dias anteriores. Temos estado na disputa com vários rivais próximos da frente, mas é evidente, com a Ferrari liderando os tempos e a McLaren e a Red Bull Racing logo atrás, que precisamos continuar trabalhando duro para melhorar o desempenho. Tudo indica que teremos uma disputa acirrada em Melbourne e esperamos fazer parte dela”, desconversou George Russell.

Pelos lados da Red Bull, Max Verstappen também se fez de rogado: “Desempenho? Mesmo com toda a nossa tecnologia e ferramentas de simulação, todos só começarão a ter uma ideia parcial da hierarquia nos boxes, após a sessão de qualificação de sábado em Albert Park”, disse ele.

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Foto: F1

A próxima atividade de pista será o primeiro treino livre do GP da Austrália no circuito em Melbourne, daqui a duas semanas. 

A maior mudança de regulamento nas últimas décadas na F1 teve cinco dias de shakedown em Barcelona e seis dias no Bahrein. Nestes 11 dias, fãs tiveram uma pequena amostra do que esperar desta nova temporada.

As equipes continuam reservadas, mas treino é treino, jogo é jogo. E quando a luz verde acender no final do pit lane em Melbourne, não haverá mais para onde fugir. 

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