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“O pior emprego do mundo”: Missão impossível?

João Luiz da Fonseca

19/01/2026 8h43

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Isack Hadjar assume a vaga de segundo piloto, com a missão de quebrar sequência de fracassos ao apostar no novo projeto de carro para se adaptar ao lado de Verstappen (Instagram)

A nomeação de Isack Hadjar para a Red Bull logo ao final de sua temporada de estreia na Fórmula 1 reacendeu os debates sobre o famigerado cargo de segundo piloto, com o questionamento extra se é cedo demais para ele enfrentar as pressões de um assento tão controverso.

Afinal, com a equipe tendo desperdiçado tantos talentos nos últimos anos, Hadjar sabe que terá que ir contra o que se tornou uma tendência histórica de fracassos.

Desde que assumiu o posto de principal nome da Red Bull Racing, Max Verstappen transformou o segundo carro da equipe em um dos maiores desafios da Fórmula 1.

Ao longo dos anos, diferentes pilotos tentaram acompanhar o ritmo do holandês, e tiveram, na maioria dos casos, suas carreiras profundamente impactadas pela comparação direta ou mesmo por não conseguirem capitalizar resultados para o time no campeonato.

Entre os vários coadjuvantes que enfrentaram a apelidada “maldição” do cargo, Daniel Ricciardo (2016–2018) foi o companheiro mais equilibrado de Verstappen. Experiente, agressivo e consistente, o australiano conseguiu vitórias e poles mesmo após a ascensão de Max dentro da equipe.

Em 2016 e 2017, o duelo interno foi intenso, com a vantagem pontual se alternando entre os dois. No entanto, a Red Bull passou a girar cada vez mais em torno de Verstappen, e Ricciardo sentiu a perda de protagonismo.

Em 2018, apesar de vencer duas corridas, sofreu com quebras mecânicas e foi desligado da equipe, num movimento que simbolizou o início da “era Verstappen”.

Promovido com altas expectativas na temporada seguinte, Pierre Gasly aceitou o desafio de se juntar à equipe, mas encontrou dificuldades imediatas. O francês também sofreu para se adaptar ao carro e à pressão de dividir a garagem com Verstappen.

A diferença de desempenho foi tão grande que a Red Bull tomou a decisão drástica de rebaixá-lo no meio da temporada, evidenciando a impaciência com quem não acompanha seu líder.

Alexander Albon assumiu a vaga ainda em 2019 e teve um início promissor, com boas recuperações em corridas. Contudo, ao longo de 2020, passou a enfrentar problemas semelhantes aos de Gasly e a falta de consistência igualmente custou seu lugar ao fim do campeonato.

Eis que chegou então Sergio Pérez. Contratado pela grande experiência, Pérez trouxe estabilidade inédita ao segundo carro da Red Bull. Em 2021, foi peça-chave na disputa do título de Verstappen, com atuações defensivas marcantes.

Nos anos seguintes, ajudou a equipe a dominar o Mundial de Construtores e foi um heróico vice-campeão em 2023. Ainda assim, mesmo com vitórias e bons resultados, Pérez não conseguiu  se equiparar a Verstappen.

Em dezembro de 2024, o mexicano – que está de volta ao grid da F1 com a Cadillac -, usou as redes sociais para comunicar o fim do vínculo de comum acordo,

Em várias entrevistas que se sucederam, ele expôs como a equipe sempre trabalhou em prol do tetracampeão e declarou publicamente que o cargo de segundo piloto na Red Bull é o “pior emprego do mundo”.

“Não há piloto que consiga sobreviver ali. Não importa se você trouxer Hamilton ou Leclerc, quem quer seja terá muitas dificuldades. Quando assinei meu pedido de saída da Red Bull, pensei: coitado de quem vier para cá”, disparou.

Um padrão que se repete

De fato, a trajetória dos segundos pilotos da Red Bull que se seguiram ao lado de Max Verstappen continuou revelando um padrão claro: competir internamente com o holandês é uma missão praticamente impossível.

Foi assim com Liam Lawson e Yuki Tsunoda, que sucederam o mexicano.

E para a nova temporada que se aproxima, Isack Hadjar, que estreou no ano passado na F1 pela Racing Bulls, foi escalado para enfrentar o desafio.

Com isso, ele se torna o sétimo piloto diferente a fazer dupla com o tetracampeão mundial na equipe de Milton Keynes.

Questionado sobre uma eventual preocupação com a reputação do posto, Hadjar disse: “é um carro totalmente novo, começando do zero. Sou rápido o suficiente. Então, sim, estou muito confiante”, disse o francês de 21 anos.

Pérez, contudo, mais uma vez foi taxativo: “Isack está no começo de sua carreira e colocará tudo em risco se não se adaptar às necessidades de Verstappen”.

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