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O até logo de “Oconzinho do Brasil” e o sonho de voltar a ver o país em dose dupla na F1

A saída de Esteban Ocon abre caminho para que o promissor Rafael Câmara se junte a Gabriel Bortoleto, trazendo de volta os tempos em que o Brasil acelerava em dose dupla no grid

João Luiz da Fonseca

05/10/2026 16h46

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De saída da Haas, Esteban Ocon se despede dos fãs brasileiros que o adotaram com carinho. Mas o assento do “Oconzinho” já tem um favorito: o pernambucano Rafael Câmara é o mais cotado para assumir a vaga em 2027

Enquanto a maioria das análises internacionais foca nos bastidores políticos da Fórmula 1 e nos desgastes internos que culminaram no fim da linha para Esteban Ocon na Haas, o público brasileiro enxerga essa movimentação com uma mistura única de sentimentos: a despedida de um piloto querido e a chance real de ver o país resgatar sua tradição de ter dois representantes no grid titular ao mesmo tempo. 

Para quem acompanha o esporte apenas pelas tabelas, Ocon é o piloto francês que busca novos rumos após sua passagem pela equipe americana. Mas, para o torcedor que lota Interlagos, ele será sempre o “Oconzinho do Brasil”, um apelido carinhoso que o piloto não apenas abraçou, mas passou a ostentar com orgulho. 

A relação de amor com o país transformou o francês em um verdadeiro “cidadão honorário” das arquibancadas brasileiras, e Ocon nunca escondeu sua profunda admiração pela energia e paixão do nosso público.

“De cabeça erguida”, como destacou nas redes sociais, o anúncio oficial da sua saída ao término da temporada veio carregado de um tom de desabafo. Ele fez questão de pontuar que enfrentou ventos contrários, fora de seu controle, mas manteve a postura firme sobre sua longevidade no esporte, declarando que deixa o projeto orgulhoso de seu desempenho em circunstâncias que nem sempre foram as mais fáceis, por diversas razões e fatores fora de seu controle. E reforçou que continua motivado, com fome de cockpit, e que este definitivamente não é o fim de sua carreira na Fórmula 1. 

Do outro lado, o chefe da Haas, Ayao Komatsu, adotou um tom polido e de agradecimento protocolar, enaltecendo Esteban por tudo o que ele contribuiu para a equipe e que a parceria foi bastante positiva. 

Nos bastidores, contudo, a insatisfação do piloto com o rendimento do carro e a perda de terreno interna aceleraram o processo de ruptura.

Rafa Câmara no radar

A grande reviravolta dessa história é que o assento vazio deixado por “Oconzinho” pode ser o passaporte para o Brasil fortalecer de vez sua presença no automobilismo mundial. Com Gabriel Bortoleto defendendo as cores da Audi, a possível contratação do pernambucano Rafael Câmara pela Haas faria o país reviver os velhos tempos de torcida dupla, algo que não acontece desde 2016, quando Felipe Massa e Felipe Nasr dividiam o grid. 

Câmara, que vem brilhando intensamente nas categorias de base, e é o atual líder da temporada da F2, conquistou uma posição de enorme prestígio no mercado. Membro da Academia de Pilotos da Ferrari, ele participou de testes privados promovidos pela escuderia italiana e pela própria Haas utilizando carros de temporadas anteriores.

O desempenho do jovem recifense nesses testes foi avassalador. Embora a equipe também tenha avaliado outros talentos internacionais, Câmara foi quem mais impressionou o corpo técnico da Haas, arrancando elogios entusiasmados inclusive da própria escuderia de Maranello. 

Komatsu estabeleceu um prazo curto para definir a dupla para 2027. Se o destino confirmar o favoritismo de Rafael Câmara para formar uma promissora dupla de novatos ao lado de Oliver Bearman, o torcedor brasileiro terá que se despedir do carismático Oconzinho para, em breve, celebrar o orgulho de ver dois compatriotas acelerando juntos na elite do automobilismo mundial após mais de uma década.

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