O GP de Mônaco, no próximo fim de semana, marcará uma exceção inédita na temporada da Fórmula 1. Pela primeira vez no ano, os pilotos não poderão utilizar o chamado “Modo Reta”, sistema de aerodinâmica ativa que reduz o arrasto ao abrir os flaps das asas dianteira e traseira.
A medida foi adotada pela FIA para limitar a velocidade dos carros nas estreitas ruas de Monte Carlo. Além de manter os monopostos permanentemente no “Modo Curva”, a entidade também determinou restrições eletrônicas de potência, reduzindo progressivamente a atuação do sistema elétrico (MGU-K) a partir de 200 km/h e aplicando um corte mais severo acima dos 300 km/h.
A principal preocupação é evitar que os novos carros híbridos de 2026 atinjam velocidades excessivas, especialmente na saída do famoso túnel do circuito monegasco.
Com o antigo DRS extinto pelo regulamento atual, a única ferramenta adicional disponível para os pilotos será o “Modo Ultrapassagem” elétrico, acionado antes da curva Anthony Noghes. Diante das limitações aerodinâmicas e da dificuldade natural para ultrapassar em Mônaco, a classificação de sábado ganha ainda mais importância e deve ser decisiva para o resultado da corrida.
ADUO pode alterar o equilíbrio de forças
Além das mudanças específicas para Mônaco, a Fórmula 1 se prepara para a primeira aplicação do ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities), mecanismo criado para reduzir diferenças de desempenho entre os fabricantes de motores na nova era técnica da categoria.
O sistema concede oportunidades extras de desenvolvimento às fornecedoras que apresentarem uma desvantagem superior a 2% em relação à unidade de potência mais eficiente do grid. A FIA está finalizando a análise dos dados das cinco primeiras etapas da temporada para definir quais fabricantes terão acesso ao benefício.
Embora o desempenho do motor a combustão seja o principal critério de avaliação, o ADUO permite atualizações em diversos componentes da unidade de potência, incluindo áreas consideradas fundamentais no regulamento atual, como bateria e ERS, o componente elétrico do motor híbrido que reaproveita a energia desperdiçada nas frenagens e no escapamento, transformando-a em eletricidade para fornecer um impulso extra de potência.
O objetivo é evitar que um fabricante permaneça por anos preso a um projeto claramente inferior, sem eliminar a disputa tecnológica entre as montadoras.
Ainda assim, o mecanismo não representa liberdade total para redesenhar os motores. O desenvolvimento, homologação e introdução de novos componentes exigem investimentos elevados e tempo considerável para gerar resultados na pista.
Pelo regulamento, qualquer atualização aprovada deverá ser disponibilizada simultaneamente para todas as equipes clientes que utilizam a mesma unidade de potência.
Inicialmente previsto para entrar em vigor após a sexta etapa da temporada, o cronograma do ADUO foi ajustado após as alterações no calendário. A FIA passará a avaliar os fabricantes em três períodos distintos: corridas 1 a 5 (Austrália a Canadá), 6 a 11 (Mônaco a Hungria) e 12 a 18 (Holanda a México).