Invicta nas corridas de 2026, a Mercedes segue no topo da Fórmula 1, mas convive com um problema que começa a preocupar internamente: as dificuldades nas largadas. Em todos os Grandes Prêmios disputados até aqui, a equipe perdeu posições ainda nos primeiros metros, mesmo partindo na frente.
Na última etapa, o GP de Miami, o cenário se repetiu. Líder do campeonato, o pole position Kimi Antonelli não conseguiu uma saída limpa e acabou superado por Charles Leclerc e Max Verstappen antes da primeira curva. Na tentativa de evitar contato, precisou frear bruscamente e escapou da pista na curva 1.
O episódio aumentou a pressão sobre a equipe de Brackley, especialmente porque a dificuldade já havia custado caro a Antonelli na corrida sprint do sábado.
Embora a Mercedes tenha conseguido recuperar terreno ao longo das provas, o time entende que depender de recuperações agressivas pode se tornar inviável à medida que os carros evoluem e as ultrapassagens ficam mais difíceis ao longo da temporada.
Por isso, o chefe da equipe, Toto Wolff, foi direto ao definir a situação como “inaceitável”. Segundo ele, o problema não está nos pilotos, mas na incapacidade da equipe de entregar um sistema de largada consistente.
“Não é culpa dele”, afirmou Wolff ao defender Antonelli. “Simplesmente não é suficiente. Não estamos oferecendo aos pilotos uma ferramenta confiável, seja na embreagem ou na aderência.”
O dirigente admitiu que a Mercedes se tornou a única equipe de ponta que ainda não conseguiu estabilizar esse aspecto técnico em 2026. A avaliação interna é de que o problema deixou de ser pontual para se tornar estrutural.
Ao longo da temporada, as falhas tiveram origens diferentes. Na Austrália, tanto Antonelli quanto George Russell sofreram após uma preparação inadequada dos pneus na volta de apresentação. Na China, Antonelli errou a estratégia de gerenciamento de bateria antes da largada e ainda perdeu desempenho ao focar excessivamente na defesa contra as Ferraris. Já no Japão, o italiano exagerou na liberação da embreagem e provocou patinagem excessiva, enquanto Russell sofreu com uma resposta lenta no sistema de frenagem progressiva.
Mesmo após uma série de simulações e testes realizados na fábrica de Brackley durante a pausa de abril, a Mercedes não encontrou avanços significativos. Em Miami, Antonelli caiu da primeira fila para quarto ainda na sprint e voltou a perder posições na largada da corrida principal.
O próprio piloto reconhece que ainda busca maior empenho no procedimento de largada. “Ainda sou um pouco inconsistente, principalmente na hora de soltar a embreagem”, admitiu.
Pacote de atualizações mira reação imediata
Com as rivais cada vez mais próximas, a Mercedes entende que não pode continuar desperdiçando posições logo nos primeiros metros se quiser manter o controle do campeonato. Por isso, o GP do Canadá, no final da semana, marcará a estreia do primeiro grande pacote de atualizações do W17.
A expectativa é que as novidades representem um ganho próximo de três décimos por volta. O pacote inclui mudanças importantes na aerodinâmica, começando por uma nova filosofia de fluxo de ar na asa dianteira, além de alterações na suspensão dianteira e no assoalho do carro.
A equipe também trabalhou para reduzir o peso do monoposto, desenvolvendo uma nova caixa de câmbio mais leve e outras soluções para aproximar o W17 do peso mínimo regulamentar. Isso deve permitir uma distribuição de lastro mais eficiente e, consequentemente, melhorar o equilíbrio do carro.
Além da performance pura, a Mercedes espera que as atualizações ajudem a minimizar justamente os dois pontos mais críticos identificados no início da temporada: o excesso de peso e as largadas inconsistentes.
Em Montreal, a expectativa é consolidar o status de principal força do grid — mas, internamente, já existe a percepção de que velocidade sozinha não será suficiente se o problema nas largadas continuar se repetindo.