Por João Luiz da Fonseca
A pré-temporada da Fórmula 1 vai começar nesta segunda-feira (26), de forma no mínimo incomum.
Diferentemente dos anos anteriores, os cinco dias de testes privados serão marcados pela ausência e atrasos no comparecimento de equipes, um cenário inusitado e que chamou atenção.
Na abertura das atividades oficiais em Barcelona, a Williams é ausência confirmada. Já outras equipes, como Ferrari, McLaren e Aston Martin, informaram que não estarão presentes no circuito espanhol ao menos no primeiro dia. Dos cinco dias disponíveis para testar, cada time pode utilizar até três.
No caso da Aston Martin, o chefe da equipe, Adrian Newey, optou por continuar o desenvolvimento do carro até o último momento, mas espera conseguir aproveitar os três dias a que tem direito.
A McLaren também confirmou que o MCL40 continuará em desenvolvimento e não deve participar dos dois primeiros dias de atividades.
E a Ferrari foi outra a anunciar que não colocará o SF-26 na pista nesta segunda-feira. Em uma estratégia de dois carros, a escuderia italiana planeja uma abordagem diferente, utilizando um monoposto focado exclusivamente em testar a nova unidade de potência (motor e sistemas elétricos) na Espanha, e outro, com o pacote aerodinâmico completo para a temporada, a ser levado para o Bahrein, em fevereiro.
Em meio a desfalques, limitações e incertezas, a atividade no circuito espanhol não deve passar de um shakedown estendido.
Além disso, as equipes que ainda não confirmaram presença, têm a possibilidade de enfrentar condições climáticas adversas nesta segunda e terça-feira, o que pode reduzir ainda mais o acúmulo de quilometragem.
O cenário reflete os desafios impostos pelo novo e complexo regulamento técnico que entra em vigor este ano, envolvendo grandes mudanças simultâneas de chassi, unidade de potência e pneus.
Rumores apontam que mais surpresas podem surgir antes da corrida de abertura, em 8 de março, diante de carros ainda pouco compreendidos, e do nível de complexidade da nova era da categoria.
As equipes que ficaram de fora da abertura apostam que chegar um pouco mais tarde, mas melhor preparadas, pode ser o diferencial para um início de ano competitivo em um dos campeonatos mais imprevisíveis da história recente da Fórmula 1.
Semana agitada
Mas não foram somente os comunicados inesperados referentes ao início da pré-temporada que agitaram a última semana no ambiente da F1.
Equipes e pilotos viveram dias intensos, marcados pela sequência dos lançamentos de layouts, shakedowns e apresentação de uniformes e capacetes.
A começar pela Haas na segunda-feira, 19, que divulgou online os detalhes do monoposto que será conduzido por Esteban Ocon e Oliver Bearman, batizado de VF-26.
No dia seguinte foi a vez da Audi revelar o R26 de Bortoleto e Hulkenberg, em um evento em Berlim, sendo sucedida pela Mercedes no dia 22, e Ferrari e Alpine comandando os lançamentos das pinturas do SF-26 e do A526, na sexta-feira (23).
As apresentações foram seguidas por atividades de pista e dia de filmagem para ganhar quilometragem, testar componentes e o novo motor híbrido V6 turbo.
Por fim, a semana encerrou com os comentários de uma possível volta de Christian Horner à F1 desde seu desligamento da Red Bull, onde por 20 anos atuou como figura central no sucesso meteórico da equipe.
Esse retorno, já em negociações confirmadas por Flávio Briatori, seria viável caso o grupo de investimentos Otro Capital, detentor de 24% de participação na equipe controlada pela Renault, concorde com a venda das ações.
A potencial volta de Horner à Fórmula 1 como acionista da Alpine representaria um movimento estratégico significativo, buscando replicar o modelo de sucesso de Toto Wolff na Mercedes e trazendo sua vasta experiência vencedora para uma equipe em dificuldades.