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FIA vai ceder à pressão?

Polêmica sobre a taxa de compressão da unidade de potência da Mercedes leva FIA a avaliar ajustes nos mecanismos de controle técnico

João Luiz da Fonseca

08/02/2026 13h59

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Foto: Divulgação

Por João Luiz da Fonseca

jluizfonseca@uol.com.br

A Fórmula 1 mal iniciou seu novo ciclo regulatório de 2026 e os bastidores já estão em chamas. O pivô do primeiro grande conflito técnico da temporada é o novo motor da Mercedes, que despertou a fúria de rivais como Ferrari, Audi e Honda.

A polêmica está centrada em uma suposta brecha regulatória relacionada à taxa de compressão dos cilindros e o imbróglio pode acabar nos tribunais.

O “Pulo do Gato”

Toda controvérsia gira em torno de uma área cinzenta no regulamento técnico de 2026. Para esta nova era, a FIA reduziu a taxa de compressão máxima dos motores de 18:1 para 16:1, visando simplificar o desenvolvimento e atrair novas montadoras.

O regulamento especifica que essa medição deve ser feita em “temperatura ambiente” (motor frio e estático). E a suposta estratégia da Mercedes indica que os engenheiros de Brixworth encontraram uma forma de explorar a expansão térmica.

Nos boxes, com o motor frio, o carro atende perfeitamente ao limite de 16:1 exigido pela FIA. Já na pista, em altas temperaturas de operação, a dilatação de componentes internos elevaria a taxa de compressão para algo próximo de 18:1.

O site da revista alemã Auto Motor und Sport publicou reportagem detalhando o truque, que tem a ver com uma segunda câmara de combustão que é desativada quando o motor está quente. E a FIA aprovou a legalidade da solução.

Especialistas estimam que esse “truque” garante cerca de 15 a 40 cavalos de potência extras, o que pode significar uma vantagem de até 0,3 segundos por volta.

Rivais reagem

A aliança formada por Ferrari, Audi e Honda se deu através do envio de cartas formais à Federação exigindo mudanças urgentes na forma de medição (pedindo testes com motor quente ou o uso de sensores em tempo real). 

A Red Bull, que inicialmente teria explorado o mesmo caminho, acabou recuando e deixou a Mercedes isolada na defesa da solução técnica.

Por outro lado e em sentido contrário, um novo movimento estratégico da Ferrari indica que, em vez de apenas contestar a interpretação das regras feita pela rival alemã, agora optou por explorar o mesmo caminho tecnológico da equipe. 

Rumores no paddock indicam que a escuderia italiana já está acelerando o desenvolvimento de uma nova unidade de potência, inspirada na polêmica solução técnica da Mercedes.

Essa abordagem dupla, de protestar e ao mesmo tempo desenvolver um conceito similar, coloca todas as fabricantes de motores em alerta e estabelece um cenário de guerra tecnológica ainda mais complexo nos bastidores da principal categoria do automobilismo mundial.

Para esses protestos, a resposta de Toto Wolff, chefe da equipe, foi ácida e direta durante o lançamento do carro (o W17). “Quem está preocupado em alterar a fiscalização é porque não conseguiu fazer um bom trabalho. Devem ‘tomar jeito’ e focar no próprio motor”, disparou.

A situação é delicada porque os motores serão homologados (congelados) em 1º de março. 

Segundo divulgou neste fim de semana a revista italiana Autosprint, a FIA teria cedido à pressão das rivais e deve mudar a regra de medição, realizando a checagem da taxa de compressão da unidade de potência com os motores aquecidos. 

O portal destaca ainda que essa mudança exigirá votação, mas não será preciso unanimidade para aprová-la no regulamento técnico. Ou seja….

Os testes de pré-temporada no Bahrein, que ocorrem entre 11 e 13 de fevereiro, serão o termômetro final. Se a Mercedes (e suas clientes como McLaren e Williams) dominar os tempos de volta com facilidade, a pressão política sobre a FIA deve atingir níveis sem precedentes antes da primeira corrida na Austrália.

Russell e a faca de dois gumes

Com o “supermotor” da Mercedes sendo o assunto do momento, a dinâmica interna entre George Russell e Kimi Antonelli também ganha contornos de um roteiro de cinema. 

Para Russell, o motor de 2026 seria uma faca de dois gumes. Por um lado, pode definir sua validação como líder da dupla de pilotos, após anos à sombra de Lewis Hamilton. 

Porém com um motor superior, o piloto sofrerá uma pressão ainda maior, já que qualquer erro será amplificado, pois ele terá a obrigação de vencer. E um motor dominante é o caminho mais curto, mas também o que menos perdoa falhas.

Já Kimi Antonelli, em sua segunda temporada após uma estreia sólida, pode pilotar com a “liberdade de quem não tem nada a perder”. Se o carro for 0,3s mais rápido por conta do motor, ele pode compensar a falta de experiência com velocidade bruta.

O jovem piloto revelou recentemente que trabalhou com psicólogos para lidar com a pressão de 2026. Ele sabe que, se o motor Mercedes for o que dizem, terá chances reais de se tornar o campeão mundial mais jovem da história. 

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