Apesar de protagonizar até aqui uma invejável campanha que a coloca na liderança dos campeonatos de Pilotos e Construtores, a Mercedes vai chegar à segunda metade da temporada com motivos de sobra para permanecer em alerta.
Se, por um lado, a equipe sustenta uma vantagem importante na classificação, por outro viu Ferrari e McLaren crescerem de rendimento e se aproximarem nas últimas etapas. Para completar o cenário de preocupação, os persistentes problemas de confiabilidade deixam seus dois pilotos sob ameaça de penalidades de grid até o fim do campeonato — punições que podem custar pontos preciosos justamente na fase decisiva da disputa.
A escuderia admitiu que as punições são uma perspectiva bastante realista, considerando a quantidade de componentes já utilizados e as falhas que marcaram o início do campeonato. A equipe acumula abandonos (DNFs) provocados por problemas na unidade de potência e em outros elementos, o que passa a exigir uma administração extremamente cuidadosa do motor até a última etapa.
O vice-diretor da equipe, Bradley Lord, reconheceu que, diante das diversas substituições realizadas na primeira fase, as punições na retomada da competição serão “quase inevitáveis”. A intensa movimentação nos boxes da Mercedes ao longo da primeira metade do campeonato, com sucessivas trocas de componentes, foi registrada em uma das ocasiões pelo colunista João Luiz da Fonseca, que acompanhou de perto o trabalho da equipe.
Segundo Lord, caberá agora ao grupo de estratégia e aos engenheiros de Brixworth definir a melhor forma de minimizar o impacto dessas penalidades na disputa pelos campeonatos.
Problemas que custaram pontos
Lord estima que a Mercedes tenha perdido “100 pontos ou mais” em decorrência de falhas de confiabilidade.
Andrea Kimi Antonelli e George Russell seguem entre os primeiros colocados no Mundial de Pilotos — o italiano lidera com 219 pontos, enquanto o britânico aparece em terceiro, com 160 —, mas ambos enfrentaram diversos contratempos ao longo da temporada.
No caso de Russell, os problemas mecânicos, de confiabilidade e desempenho marcaram os GPs da China, Japão, Miami, Mônaco, Canadá — onde abandonou quando liderava a corrida —, Bélgica e, principalmente, Hungria, etapa em que precisou utilizar a última unidade de potência permitida pelo regulamento.
Antonelli também enfrentou uma sequência de dificuldades. Além do abandono em Barcelona por uma falha mecânica ligada ao sistema elétrico, perdeu a pole position na Áustria após a polêmica envolvendo bandeiras amarelas e viu a vitória escapar na Inglaterra em razão de problemas na suspensão e dos detritos na pista. O fenômeno italiano também sofreu, em diferentes momentos da temporada, com dificuldades nas largadas e no funcionamento da embreagem.
Os contratempos aumentam a pressão sobre a equipe, que agora precisará definir com precisão o momento ideal para introduzir novos componentes, buscando reduzir ao máximo o prejuízo na reta final do campeonato.
O regulamento limita o número de elementos da unidade de potência que cada piloto pode utilizar durante a temporada. Ultrapassar essa cota implica automaticamente em perda de posições no grid. “As opções ficam cada vez mais restritas ao longo do campeonato, tornando as penalidades praticamente inevitáveis”, ressaltou Lord.
A situação ganha ainda mais importância em um momento decisivo do campeonato. Embora siga na liderança, a Mercedes já vê Ferrari e McLaren reduzirem a diferença graças ao forte ritmo de desenvolvimento apresentado nas últimas etapas. Nesse cenário, qualquer punição no grid ou novo abandono pode custar pontos valiosos e recolocar de vez as rivais na disputa pelos títulos de Pilotos e Construtores.
Mais do que a velocidade, portanto, a capacidade de administrar a confiabilidade e o uso dos componentes da unidade de potência poderá ser determinante para a Mercedes preservar sua vantagem até a última etapa.
Após a pausa de verão, a Fórmula 1 retorna às pistas daqui a duas semanas, no dia 23 de agosto, para o GP da Holanda, em Zandvoort. Será o início de uma segunda metade de campeonato em que a Mercedes terá de conciliar a vantagem construída até aqui com a crescente pressão de Ferrari e McLaren e, principalmente, com os desafios de confiabilidade que podem definir o rumo da disputa pelos títulos.