É isso o que acontece com cada equipe todo fim de semana de Grande Prêmio. Numa analogia aos maiores animais terrestres da atualidade, os dez times de Fórmula 1 são obrigados a transportar ”oito elefantes” a cada corrida.
É uma comparação no sentido figurado, claro, mas o trabalho que esse processo demanda é praticamente o mesmo em termos de volume e peso.
Embora muita gente desconheça (mas já deve imaginar), transportar os mais velozes carros do mundo – muitas vezes em três finais de semana seguidos – a países ou continentes diferentes, é um ato que exige precisão, coordenação e excelência em engenharia.
Se a largada simboliza o ápice de um intenso trabalho de preparação, esforço e otimização, esse momento não marca só o início da corrida, mas representa a concretização de árduos trabalhos anteriores.
Com a temporada abrangendo um cronograma apertado de 24 corridas, é fundamental garantir que essas máquinas velozes e de alto desempenho (e custo) cheguem com segurança ao destino e a tempo.
Para que isso aconteça, cerca de 90 trabalhadores de cada time viajam para as diferentes partes do planeta. Então, é muito interessante ver como eles fazem essa mágica acontecer.
O sistema complexo de transporte não envolve apenas o monoposto (que, por sinal, é levado todo desmontado), como também ferramentas, dispositivos eletrônicos, telões, painéis e muito mais.
Uma única temporada chega a exigir o transporte de cerca de 1.200 toneladas, com os equipamentos percorrendo cerca de 77 mil km ao redor do mundo. Para isso, as equipes utilizam uma combinação de três sistemas de transporte: aéreo, marítimo e rodoviário.
A empresa DHL é a parceira logística oficial da F1, e estima que cada equipe gaste mais de US$ 8 milhões anuais só em transporte.
São empregados seis ou sete aviões de carga Boeing 747 por evento e até 300 caminhões, que formam um comboio de mais de 5 km nas rodovias. Só aí já começa o espetáculo!
Antes mesmo da chegada dos pilotos e membros da liderança e engenharia das equipes, o pessoal da DHL vai para a pista na quarta-feira, para gerenciar a chegada e montagem de tudo.
Também pensando no Meio Ambiente, no ano passado a Fórmula 1 deu um grande passo em direção à sustentabilidade, e
a DHL dobrou sua frota de caminhões biocombustíveis de 18 para 37, todos movidos ao combustível HVO100, derivado de óleos residuais, como óleo de cozinha usado.
Esses caminhões, utilizados nas corridas europeias (onde os aviões normalmente não são utilizados dada a proximidade dos países), reduziram as emissões de carbono em uma média de 83% em comparação com o diesel padrão.
Além da DHL, as equipes também fazem suas próprias parcerias para garantir a chegada de todo equipamento ao seu destino. É o caso da Aston Martin, equipe do piloto reserva Felipe Drugovich, que este ano conta com a gigante Atlas Air para cuidar de toda logística de transporte.
A empresa, que opera a maior frota de aviões cargueiros Boeing 747 do mundo, realiza o transporte aéreo dos itens críticos, entre eles os carros, enquanto materiais menos urgentes, como equipamentos de hospitalidade, seguem por via marítima.
Em outro exemplo, a CEVA Logistics atua como parceira oficial da Ferrari, sob um acordo plurianual para apoiar as atividades de corrida da equipe em termos de transporte rodoviário e marítimo de carros e equipamentos.
Em todos os casos, essas empresas sabem que assumem o risco de ir do céu ao inferno em nome do título na Fórmula 1. Levando “oito elefantes” na bagagem e o que mais for preciso!