A primeira semana de testes oficiais de pré-temporada da F1 no Bahrein foi encerrada com 3.726 voltas completadas pelos 22 pilotos e a liderança da Mercedes, que garantiu uma dobradinha no último dia, com Kimi Antonelli registrando o melhor tempo da semana (1:33.669).
Embora tenha sido a mais rápida, rivais como Charles Leclerc acreditam que a equipe alemã está “escondendo muito jogo” e possui um potencial de performance ainda maior.
O carro apresentou problemas de suspensão e na unidade de potência nos primeiros dias, mas se recuperou e completou 139 voltas no encerramento.
George Russell e Kimi Antonelli foram, de fato, os únicos dois pilotos que conseguiram quebrar a marca de 1 minuto e 34 segundos. Ainda assim, Antonelli foi 4,321 segundos mais lento em relação à marca do ano passado, de 1:29.348, com Carlos Sainz.
No balanço geral, McLaren e Williams alcançaram o maior número de voltas no teste – empatadas com 422 – e a equipe de Woking também liderou a tabela de tempos no primeiro dia, com o atual campeão mundial, Lando Norris, ao volante.
Talvez o indicador mais confiável de desempenho nesta fase tenham sido as simulações de corrida, e foi nessa área que a Ferrari se destacou. Após as atualizações implementadas no SF-26 na quinta-feira, Leclerc e Hamilton registraram tempos rápidos e consistentes nas sessões noturnas dos dois últimos dias.
Com 421 voltas completadas, a equipe de Maranello demonstrou o melhor desempenho geral em ritmo de corrida, com Charles Leclerc sendo o mais rápido no segundo dia, com 1min34s273, e Lewis Hamilton fechando com o 3º melhor tempo geral da semana (1:34.209).
Mas entre tantos destaques, a Red Bull foi considerada “referência técnica” em desempenho e confiabilidade, impressionando a todos pela sua unidade de potência.
Sem favoritismo?
Apesar dos resultados sólidos, nenhuma das equipes quis assumir um favoritismo. Ao contrário disso, pareceram o tempo todo estarem se esforçando para desviar dos holofotes e não levar o rótulo de “mais rápida”.
Para Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes, o novo motor da Red Bull, construído em parceria com a Ford, se mostrou mais eficiente que os de seus rivais. “Eles conseguem gastar muito mais energia nas retas do que qualquer outro piloto. E, obviamente, tem o Max no carro. Essa combinação é forte”, completou.
Porém, o diretor-técnico da Red Bull, Pierre Waché, evitou o ufanismo e foi enfático: “É difícil afirmar que somos a referência. Vemos claramente as três melhores equipes, Ferrari, Mercedes e McLaren, à nossa frente. Pelo que analisamos, parece que estamos atrás; é onde nos encontramos no momento”, disse ele.
Já Frédéric Vasseur admitiu que tem sido muito bom ver todas as atenções voltadas para Mercedes e Red Bull após a primeira parte de testes da pré-temporada. “É muito bom para nós que ninguém esteja falando da Ferrari — e eu gosto dessa situação”, afirmou o dirigente durante entrevista coletiva, com um sorriso no rosto. “Assim podemos focar em nós mesmos”, justificou.
Deixando o sarcasmo de lado, Vasseur frisou que é muito difícil dizer quem saiu na frente, uma vez que a quantidade de combustível faz diferença na performance do carro. “Honestamente, ninguém sabe de verdade”.
De acordo com o chefe da equipe, o objetivo principal foi acumular um número expressivo de voltas e coletar dados importantes para o desenvolvimento da SF-26 — exatamente o que Hamilton e Leclerc conseguiram fazer.
“Desempenho é uma questão à parte. A prioridade neste estágio é acumular conhecimento e nos colocar na melhor posição possível antes de Melbourne, sabendo que ainda temos tempo para dar novos passos adiante”, encerrou o chefe da Ferrari, elogiando ainda os resultados promissores da Haas com Oliver Bearman em um surpreendente terceiro lugar no segundo dia e Esteban Ocon, em quarto no primeiro. O desempenho dos pilotos mostra, segundo ele, a confiabilidade do VF-26 e de seu motor Ferrari.
James Vowles, chefe da Williams, que é cliente da Mercedes, concorda com Vasseur: “Neste momento, não acho que haja alguém nos boxes que possa dizer qual é a melhor unidade de potência”, disse ele.
Sem apostas individuais, a F1 retorna para a segunda bateria de testes na próxima quarta-feira, encerrando os preparativos antes da abertura oficial da temporada na Austrália, em 6 de março.
Com os dados da primeira semana em mãos, as equipes devem finalizar os ajustes finos de acerto nos carros e realizar simulações completas de corrida.
E somente depois disso é que saberemos quem, de fato, vai sair na frente.