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Canadá vira novo campo de batalha  

Mercedes, Audi e Cadillac aceleram pacotes de atualização para tentar reduzir vantagem da McLaren em Montreal, enquanto Ferrari sofre pressão por falta de evolução no carro

João Luiz da Fonseca

18/05/2026 15h20

Mercedes, McLaren, Audi e Cadillac levam novos pacotes técnicos para o GP do Canadá, numa tentativa de ganhar terreno na disputa de 2026

Mercedes, McLaren, Audi e Cadillac levam novos pacotes técnicos para o GP do Canadá, numa tentativa de ganhar terreno na disputa de 2026

A temporada 2026 da Fórmula 1 chega ao GP do Canadá cercada por um cenário cada vez mais claro: a escalada da McLaren em Miami colocou equipes em modo de reação e Montreal pode representar o primeiro grande ponto de virada técnica do campeonato. 

Após o impacto causado pelo desempenho da britânica na última etapa, rivais como a Mercedes, e até mesmo Audi e Cadillac, aceleraram seus programas de desenvolvimento para tentar reduzir a diferença antes da metade da temporada. 

E o circuito Gilles Villeneuve, tradicionalmente sensível à eficiência aerodinâmica, tração e velocidade final, será palco de uma das maiores investidas em atualizações do ano.

A Mercedes chega com um pacote considerado internamente como um dos mais importantes da temporada. A equipe alemã promove mudanças estruturais e aerodinâmicas amplas no carro, incluindo um novo assoalho e revisões nas coberturas de carbono da suspensão dianteira. O objetivo é aumentar a estabilidade nas entradas de curva sem comprometer a eficiência em reta — ponto que a McLaren explorou com enorme vantagem nas últimas corridas. 

Além da parte aerodinâmica, a escuderia também introduz evoluções mecânicas relevantes. A transmissão passou por um redesenho para reduzir peso, enquanto o sistema de largada visa evoluir após as dificuldades recorrentes nas primeiras voltas de 2026. Nos bastidores, estima-se que o pacote possa representar um ganho próximo de três décimos por volta, um salto significativo dentro do atual regulamento técnico.

Por sua vez, a Cadillac, que vive sua temporada de estreia na Fórmula 1, também aposta pesado em Montreal. A equipe americana igualmente confirmou a chegada de um grande pacote técnico voltado principalmente para a estabilidade em alta velocidade e consistência em ritmo de corrida. Embora ainda esteja distante do pelotão de frente, o time vê o Canadá como uma oportunidade para consolidar sua evolução e se aproximar da zona de pontos de maneira mais constante. 

Enquanto isso, a própria McLaren segue atacando. Em terceiro lugar no Mundial de Construtores com 94 pontos — atrás da Ferrari (110) e da líder Mercedes (180) —, a equipe britânica mantém um agressivo cronograma de desenvolvimento. O carro recebeu revisões na asa dianteira, ajustes na carenagem e refinamentos no conceito do assoalho, área considerada fundamental dentro da filosofia aerodinâmica da geração 2026. 

A postura da McLaren mostra uma tendência comum na Fórmula 1 moderna: equipes que conseguem abrir vantagem o quanto antes no regulamento normalmente entram em ciclos de desenvolvimento contínuo para impedir a convergência técnica do restante do grid.

Já a Audi tenta transformar os sinais positivos exibidos em Miami em progresso concreto. A fabricante alemã preparou peças específicas para as características do traçado canadense, priorizando a eficiência em frenagens fortes e um melhor equilíbrio nas saídas de curva. Internamente, há a percepção de que Montreal indicará se o time de Gabriel Bortoleto está encontrando uma direção mais consistente de desenvolvimento. 

O GP do Canadá também ganha importância por ser uma das primeiras pistas de baixa pressão aerodinâmica do calendário, após a sequência de circuitos mais técnicos do início da temporada. Isso significa que os novos pacotes oferecerão uma leitura mais clara sobre quais conceitos realmente funcionam dentro das regras atuais. 

Mais do que uma simples etapa, Montreal surge como um teste decisivo para a hierarquia técnica de 2026. Se a McLaren conseguir continuar tirando a diferença mesmo diante da ofensiva dos adversários, o campeonato pode ganhar novos contornos. 

Até porque, a Ferrari não anunciou alterações significativas no SF-26, para insatisfação principalmente de Lewis Hamilton, que depois do GP de Miami cobrou “desesperadamente” atualizações no motor e no chassi para tentar aproximar a escuderia italiana da dominante Mercedes e ter ainda um carro em condições iguais para mostrar que pode ser mais rápido que Leclerc.

O ex-chefe da equipe Haas, Günther Steiner, assim como os fãs em geral, se diz ansioso para ver qual time irá implementar as melhores atualizações. “Temos que esperar por isso. Acho que é uma espécie de disputa para ver quem desenvolve mais e melhor”, ressaltou Steiner.

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