Andrea Kimi Antonelli venceu o GP da Itália em uma das maiores corridas de recuperação da história da Fórmula 1. O jovem italiano da Mercedes largou da 19ª posição e superou até uma escapada na brita nos instantes finais para cruzar a linha de chegada em primeiro. Ele ainda cravou a volta mais rápida durante o apogeu da batalha ferrenha com George Russell, liderando a dobradinha da equipe em Monza. Max Verstappen completou o pódio em terceiro, enquanto o brasileiro Gabriel Bortoleto terminou em 11º.
Caos inicial
A largada em Monza foi pura tensão. O pole Pierre Gasly sustentou a liderança, mas o logo atrás o pelotão mergulhou no caos. As duas Ferraris se tocaram, e Lewis Hamilton foi empurrado para a brita, caindo para décimo. No meio do tumulto, Antonelli iniciava sua escalada, ultrapassando cinco carros logo nos metros iniciais.
Na segunda volta, Russell aproveitou o vácuo na reta para superar Gasly e assumir a ponta. Pouco depois, Charles Leclerc perdeu a traseira sozinho ao ser atacado por Oscar Piastri na entrada da Parabólica e bateu forte na barreira de pneus, provocando o abandono imediato do monegasco, para tristeza da torcida ferrarista que lotou as arquibancadas.
Após uma breve intervenção do Safety Car e uma bandeira vermelha na terceira volta para a reconstrução dos pneus protetores, o grid exibia surpresas: Franco Colapinto voava em quarto, o novato Arvid Lindblad aparecia em sétimo, e Antonelli já figurava em uma impressionante 12ª colocação.
Asfalto a 57°C
Após 30 minutos de paralisação, os carros alinharam para uma nova largada estática sob uma abrasadora temperatura de 57ºC na pista. Na relargada, Verstappen e Bortoleto partiram mal e perderam terreno.
Contudo, os holofotes miravam a Mercedes número 12. Com ritmo avassalador, Antonelli saltou para sexto na volta 7. Duas voltas depois, Hamilton despachava Gasly, abrindo caminho para que Piastri e Antonelli também superassem o francês da Alpine.
A liderança mudava constantemente. Verstappen superou Russell na volta 12 para assumir a ponta, mas o britânico deu o troco na volta 15. Livre do tráfego, Antonelli engoliu os adversários: assumiu a vice-liderança na volta 16 e tomou a ponta da corrida na volta 18.
Na volta 27, Bortoleto ultrapassou Oliver Bearman e entrou na zona de pontuação em 10º lugar. A calmaria acabou com o acionamento do Safety Car Virtual. Mercedes e Red Bull chamaram Antonelli e Verstappen para os boxes.
Na transição de volta para a bandeira verde, o jogo de posições prejudicou o brasileiro da Audi, que caiu para a 11ª colocação, batendo mais uma vez na trave dos pontos.
Drama final: da brita ao delírio dos tifosi
As últimas voltas reservaram um roteiro de cinema. Russell e Antonelli duelavam décimo a décimo de segundo quando o italiano cometeu um pequeno erro e escapou momentaneamente para a brita. Ele rapidamente controlou o carro com maestria e retornou à pista com sangue nos olhos.
Na emblemática volta 50, Antonelli superou Russell em uma manobra cirúrgica e reassumiu a liderança definitiva. Nas arquibancadas, os tifosi renderam-se completamente ao talento do compatriota. Monza explodiu em um delírio coletivo.
Ao cruzar a linha de chegada, o rádio da equipe foi tomado por gritos e choros compulsivos do prodígio. “Meu Deus! Parece que estou sonhando!”, disse ele aos prantos por vencer em casa após largar em penúltimo.
Com o triunfo e o ponto extra da melhor volta, Antonelli estendeu sua liderança no Mundial de Pilotos para 66 pontos sobre Russell (242 a 183). No Mundial de Construtores, a Mercedes consolidou o domínio absoluto com 425 pontos, abrindo 87 de vantagem sobre a vice-líder Ferrari, que estacionou nos 338 após o amargo abandono de Leclerc.
Sem tempo para descanso, a Fórmula 1 arruma as malas para acelerar no inédito e aguardado GP da Espanha nas ruas de Madrid, entre os dias 11 e 13 de setembro.