A pré-temporada da Fórmula 1, na qual as equipes fazem as últimas leituras e ajustes nos carros, parece ter sido um termômetro pouco positivo para a Aston Martin, que enfrentou um início difícil nas pistas e é vista como a equipe menos preparada para a mudança de regulamento e para o campeonato que está prestes a começar.
A equipe chega à abertura da temporada na Austrália em um estado de crise técnica, contrastando drasticamente com o otimismo gerado pelo AMR26.
O primeiro carro da equipe na nova era da F1 e com a assinatura de peso de Adrian Newey, foi a grande sensação quando apareceu em Barcelona, no início de fevereiro.
Apesar de ter impressionado inicialmente por suas soluções aerodinâmicas “extremas” e arrojadas, os testes revelaram falhas críticas de confiabilidade e uma alarmante falta de ritmo.
O carro, descrito como uma das interpretações mais radicais do novo regulamento, sofreu com um cronograma de desenvolvimento severamente comprimido.
Newey admitiu que a equipe começou o projeto com quatro meses de desvantagem em relação aos rivais, devido a limitações no uso do túnel de vento e à sua chegada tardia ao projeto em 2025.
Ao assumir o cargo, o renomado projetista teria ordenado uma reformulação completa do conceito do carro, o que empurrou a produção de peças para o limite máximo, resultando em uma montagem final apressada, às vésperas dos testes.

Do sonho ao pesadelo
O que deveria ser a vitrine da nova era da Aston Martin, o AMR26 transformou-se em um “desastre”, segundo analistas como Ralf Schumacher.
O carro marca também o início da parceria técnica com a Honda e surgiu prometendo soluções ousadas desenvolvidas sob a liderança do famoso projetista, que se juntou à equipe como sócio técnico-gerente em setembro de 2024 e iniciou oficialmente suas atividades na fábrica de Silverstone em 3 de março de 2025, focando no desenvolvimento do projeto, com o objetivo de conduzir a equipe rumo à disputa por títulos.
A nova parceria enfrentou sérios problemas de vibrações anormais e falhas constantes na bateria, que deixaram o carro parado na garagem por longos períodos.
Relatos indicam que o monoposto está entre 4 e 4,5 segundos mais lento que o dos líderes, tendo ficado inclusive atrás da estreante Cadillac em termos de quilometragem e tempos de volta.
O design agressivo da carroceria, marca registrada de Newey, causou superaquecimento, forçando a equipe a abrir múltiplas aberturas de ventilação de emergência que prejudicam a eficiência aerodinâmica original.
Consequências para a estreia

Com apenas 400 voltas completas em toda pré-temporada (metade do alcançado por equipes como a Williams), a Aston Martin chega para a Albert Park em modo de “limitação de danos”.
A falta de dados correlacionados impede que a equipe otimize o acerto, criando um ciclo negativo de desenvolvimento que pode comprometer toda a primeira metade do campeonato.
“Estamos lentos. Não estamos onde gostaríamos de estar”, resumiu Pedro de la Rosa, representante da equipe, sobre a situação, a poucos dias da prova inaugural.
Então, o que está dando errado? Como pode estar enfrentando tantas dificuldades uma equipe que investiu centenas de milhões de libras em uma fábrica e um túnel de vento de última geração, uma unidade de potência de fábrica pela primeira vez em sua história , um bicampeão mundial como Alonso – considerado um dos melhores da F1 – e uma das maiores mentes de design que o esporte já viu?
Bem, uma coisa é ter todas essas vantagens individuais – e outra bem diferente- é conseguir juntá-las em harmonia.