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Economia

Conta de água aumentará no DF

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João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

Na próxima segunda feira (30), os brasilienses saberão qual é o percentual que irão pagar a mais na sua conta de água. Enquanto a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) quer um acréscimo de 9,69%, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) sugeriu uma mudança de 2,06%. Enquanto isso, para muitos moradores do DF, nenhum aumento é admissível neste momento de dificuldades econômicas, racionamento e aumento no volume de chuvas.

O aumento, independente de qual seja, vai entrar em vigor no dia 1º de junho e pretende recompor as perdas inflacionárias do ano de 2017, além de fazer a revisão tarifária extraordinária. A última mudança no preço cobrado pela Companhia foi feito em junho do ano passado, no valor de 3,1%. Já em 2016, foram dois reajustes: o ordinário, de 7,98%, em junho, e o extraordinário, de 2,67%, referente a um pedido de 2015. No total, houve alta de 29,95% de 2015 até 2017.

O assunto foi discutido nas últimas semanas pela Caesb e pela Adasa em audiências públicas. A última ocorreu na manhã de ontem, quando as propostas das duas instituições foram apresentadas. Para a Caesb, o percentual de mais de 9% é necessário para corrigir possível desequilíbrio econômico e financeiro devido a crise hídrica.

A Companhia previa uma venda de 354 milhões de m³ de água em 2017, porém vendeu 9,32% a menos que isso, ficando no patamar de 320 milhões de m³. Essa venda cobre tudo o que os usuários do sistema gastaram no ano. A explicação para essa diminuição foi a economia dupla feita pelos moradores da Capital: ou eles diminuíram o gasto de água ou não tiveram água para utilizar devido ao racionamento. Assim, de uma maneira ou de outra, esse faturamento da Caesb caiu mesmo.

Apesar de tudo isso, para a Adasa, essas situações eram gerenciáveis e havia outras formas de amenizar essa dificuldade com o faturamento. Essa é a análise do superintendente de Estudos Econômicos e Fiscalização Financeira da Adasa, Cássio Cossenzo, em relação ao pedido de um aumento grande devido à perda com as vendas. “A gente entende que parte da perda do mercado era gerenciável. Poderiam ter sido feitas ações como a redução da perda de água e novas captações para reduzir esses riscos, como já havia permissão da Adasa”, afirma.

Assim, o superintendente acredita que não deve ocorrer um aumento do valor pedido pela Caesb e sim algo mais próximo do proposto pela Adasa.

Agência apoia correção, mas exige maior análise

O superintendente de Estudos Econômicos e Fiscalização Financeira da Adasa, Cássio Cossenzo, ressalta que, para chegar ao valor do acréscimo, é levada em consideração a situação financeira dos moradores do DF, pois é preciso oferecer um serviço com qualidade suficiente, mas que seja adequado a condição da economia local.

Segundo ele, só será possível estimar o valor certo depois da análise das propostas recebidas pelas duas Companhias e pela população. Para o especialista em recursos hídricos, Sérgio Koide, apesar da existência da queda no faturamento, a população não pode ser punida, nem taxada de forma linear, com um aumento que pode chegar aos 10%. Tem que haver um meio-termo.

“Se der só o inflação, corre o risco de descapitalizar a Caesb. Tem que se encontrar um consenso. Não dá para dar os quase 10%, mas ver o quanto pode ser melhorado para que a empresa fique mais eficiente. Nem 3% nem 10%. Não pode ser escolhido por média, mas estudado um termo do que realmente pode ser descontado”, analisa o especialista.

Sérgio Koide entende que houve inúmeras melhoras no serviço de água e esgoto nos últimos anos. Além disso a empresa gastou muito com o avanço do sistema devido ao grande crescimento que ocorreu nas últimas décadas no DF.


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