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Polícia procura suspeitas de terem matado a travesti Ágatha Lios em Taguatinga

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Raphaella Sconetto
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Um vídeo divulgado pela Polícia Civil do DF mostra o momento do assassinato de Ágatha Lios, como era conhecida a travesti, de apenas 23 anos, morta em janeiro, em Taguatinga. Quatro outras travestis a mataram com dezenas de facadas. As imagens mostram que o homicídio ocorreu no meio da tarde, dentro de um centro de distribuição do Correios, local onde ela tentou se esconder. Cinco meses após sua morte, a polícia ainda procura pelas quatro suspeitas.

Natural de Porto Velho (RO), Ágatha teria procurado na prostituição uma vida que a família não conseguiria bancar. A profissão, no entanto, é perigosa.

Saiba mais

  • Ágatha não tem passagem na polícia e o crime contra ela não é caracterizado como crime contra a identidade sexual, mas, segundo a delegada, a condição de travesti contribuiu para que ela estivesse naquele meio.
  • Agora, a Polícia Civil do Distrito Federal está em busca das suspeitas de terem matado Ágatha a facadas e pede ajuda para quem tiver informações do paradeiro das quatro travestis envolvidas no crime.
  • Para entrar em contato com a Delegacia Especial, basta ligar no telefone 197, opção 0.
  • A delegada lembra que, em muitos casos, a violência é potencializada com as drogas. “Elas são muito agressivas e pioram com as drogas. Tem muito droga envolvida nesse mundo”, frisa Gláucia.

De acordo com a delegada-chefe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual (Decrin), Gláucia Cristina da Silva, um dos motivos do assassinato foi a inveja, por Ágatha ser muito bonita. “Além disso, algumas semanas antes, teve uma discussão da Ágatha com umas das autoras. Na briga, a Ágatha só ameaçou. Mas, no meio delas, se você ameaça e não cumpre, você morre. Além disso, tem a disputa por clientes e pontos”, explica.

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Daniel Ferreira Gonçalves (Carolina Andrade), Francisco Delton Lopes Castro (Samira), Dayvison Pinto Castro (Lohanny Castro) e Greyson Laudelino Pessoa (Bruna Alencar) são as acusadas de matar a vítima. Nenhuma está presa. “Tem mandado de prisão, mas estão foragidas. Elas migram muito de estado porque cometem crimes e muitas têm envolvimento com drogas”, conta Gláucia.

Pelas câmeras de segurança dos Correios, é possível ver Àgatha correndo das quatro travestis. Um funcionário até tentou impedir, mas foi ameaçado e também sofreu algumas lesões. As primeiras que esfaquearam foram Carol e Bruna. Depois, as outras. Todas cercaram a vítima e estavam armadas com facas e facão.

Regras entre prostitutas e cobranças

O assassinato de Ágatha Lios aponta para uma realidade que, muitas vezes, passa despercebida. Garotas e garotos de programa precisam seguir regras para serem aceitos em determinados locais.

Ágatha trabalhava na região de Taguatinga Sul, próximo ao Setor de Indústrias, e precisava pagar, por dia, em torno de R$ 50 a R$ 100 para ter o direito de se prostituir em um ponto. Caso não pagasse, podia sofrer represálias dos cafetões, seja em forma de assaltos, agressões físicas e verbais, e até mesmo assassinatos, segundo investigações da Polícia Civil.

Além do “pedágio” que as travestis precisam pagar, elas ainda tem que brigar entre si para conseguirem respeito, a partir de um “código de conduta”. “No meio delas, usam a faca para se resguardar. Elas obrigam as outras a cometerem assaltos, a ter que ‘furar’ alguém. Aí se uma não comete crime, sofre” aponta a delegada-chefe da Decrin.

No entanto, algumas travestis não concordam com esse código e se opõem ao que é obrigado. E foi o que aconteceu com Ágatha, que brigou com uma das autoras do crime por ter furtado um motorista do Uber.


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