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Em crise, Faculdade Dulcina tenta se reerguer e voltar a ser polo de cultura

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Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Há pelo menos cinco anos em crise financeira e administrativa, a Faculdade Dulcina de Moraes quase fechou as portas. Dívidas, estrutura física precária e poucos alunos eram os principais motivos. Mas agora, a instituição tem planos para se reestruturar e voltar a ser polo de cultura e educação profissionalizante de artes. Em entrevista ao Jornal de Brasília, a secretária executiva da faculdade, Christiane Ramirez, abriu as portas da instituição e não teve pudor ao mostrar os problemas, mas garantiu que estão trabalhando para se reerguer.

 

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Com uma dívida de cerca de R$ 15 milhões, a faculdade que leva o nome da atriz de teatro possui 185 alunos distribuídos nos cursos de artes. Com o sucateamento, sua história, como a própria secretária executiva diz, chegou a ponto de “ficar somente nas páginas negativas”. A justificativa seria uma sucessão de erros em gestões passadas. “Achavam que por ser um espaço de arte e cultura não tinham que ter uma visão de gestão administrativa efetiva. As coisas eram soltas, não tinham acompanhamento. Era um prédio de cinco andares, com três grupos de interesses diferentes e a faculdade no meio de tudo isso”, argumenta Christiane.

Gestão assume após intervenção do Ministério Público

A data de 23 de novembro do ano passado foi um marco para a Faculdade Dulcina: foi quando a gestão deixou de ser de interventores do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e a ser do conselho. “Desde 2011 o comando da faculdade funciona de duas formas: designação de gestor pelo Ministério Público do DF ou indicação pelo conselho curador, como é o meu caso”, explica a atual secretária executiva.

“Em 2013, a instituição não apresentou relatórios corretamente. Os próprios fluxos administrativos não tinham conhecimento de que, por mais que seja uma faculdade particular, somos considerados do terceiro setor. Então, às vezes nem por má intenção, prestaram contas erradas. Com isso, foi indicada pelo MPDFT uma dupla da área contábil e administrativa para tentar desvendar o que acontecia aqui. Isso durou até janeiro de 2017, quando indicaram um terceiro interventor”, completa.

No início do ano passado, conforme o Jornal de Brasília mostrou na época, surgiu o movimento Dulcina Vive e a advogada Vanessa Daniella Pimenta Ribeiro foi nomeada. No entanto, estudantes protestaram e passaram a ocupar o local pedindo uma nova interventora. “A gestora Débora Aquino foi indicada pela comunidade para fazer o processo de intervenção, que durou até o dia 23 de novembro”, aponta Christiane.

A partir de então, foi instaurado o primeiro processo eleitoral democrático para eleger o Conselho de Curadores, do qual Christiane se tornou a secretária executiva. “Assim que assumi, em 5 de fevereiro, procurei fazer um diagnóstico de tudo que acontecia no prédio. Tínhamos que firmar a base, relembrar por que estávamos aqui: o que é a Fundação Brasileira de Teatro? Quem foi Dulcina? O que é a Faculdade? O que é o Teatro? Pegamos todo esse patrimônio e levantamos sob a perspectiva da cultura brasileira, da identidade de um País, do papel desse lugar no DF”, comenta.

Christiane Ramirez, secretária executiva, diz que investe em uma gestão mais enérgica e próxima da comunidade acadêmica. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Vida longa à Dulcina 

Após período de intervenção e ainda afundada em dívidas, a Faculdade Dulcina tem esperança de se reerguer. Com 185 alunos atualmente, a expectativa é de que com o próximo vestibular o número suba para 250. Além disso, a secretária executiva garantiu que um dos objetivos é estreitar as relações com o Ministério Público do DF.

“Temos que nos aproximar do MPDFT, solicitar amparo de como conduzir essa relação de todos os períodos. O nosso quadro, em termos financeiros e de planejamento, é precário. Mas estamos montando um plano de recuperação. O nosso planejamento é fazer com que a faculdade se sustente com a sua renda, para cumprir com com as dívidas do presente e tentar solucionar o passado”, afirma.

Hoje, a fonte de renda de todo o complexo vem da Faculdade, por meio da mensalidade de R$ 784; e da Fundação Brasileira de Teatro (FBT), por meio das locações. Com este último, a pretensão é ganhar com o aluguel para pagar a manutenção do prédio. “Estamos bem e estamos fortes”, finaliza Christiane.

Comunidade elogia 

Para o produtor cultural Marco Gomes, há diferenças nítidas com a mudança de gestão. “Acharam que arte e cultura é oba-oba. Mas, por mais que seja arte, cultura, estamos lidando com uma instituição. Tem que pagar água, luz, funcionário e fazer funcionar. São contar básicas que tinham que fazer, mas não fizeram”, levanta.

Por isso, para ele, a atual diretoria ainda sofre com retaliações.“Tudo que tinha uma questão mínima de legalidade diziam que era ser capitalista, que queriam lucrar. Mas, no mundo que vivemos, seja comunista, capitalista ou qualquer outro modelo, tem que gerir, lidar com capital humano, social, ambiental”, avalia.

“O Dulcina está quebrado porque um monte de gente veio aqui com o intuito de se beneficiar. A arte tem que ser para todo mundo. Se for para um grupinho, acontece o que aconteceu. Eu quero arte, mas estou falando de um negócio. Então tem que ter controle, felizmente ou infelizmente”, conclui.

Para o produtor cultural Marco Gomes há diferenças nítidas com a mudança de gestão. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Serviço 
Vestibular Faculdade de Artes Dulcina de Moraes
Processo Seletivo 2º/2018
Cursos: Artes Plásticas, Artes Cênicas e Interpretação Teatral
Datas das provas: 28/07 e 04/08.
Telefone para contato: 3322-4147


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