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Em briga de torcidas, jovem é atropelado e espancado em Taguatinga

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Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Sem um motivo aparente, torcedores do Gama, Fortaleza e Brasiliense se envolveram em uma briga na via principal da QNL, em Taguatinga. A confusão foi por volta das 19h de sábado, após o jogo entre Gama e Fortaleza no Estádio Bezerrão, no Gama. Com quase 30 quilômetros de distância entre o local do amistoso e a confusão, o caso ainda é um mistério, já que as polícias Militar e Civil não têm informações sobre a briga.

Para o casal de autônomos Maíra dos Santos Oliveira e Danilo Melo, 36 e 28 anos, respectivamente, o confronto trouxe consequências ainda maiores: o filho de 18 anos está internado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), depois de ter sido atropelado e espancado. A família não quis divulgar o nome do garoto com medo de represálias das torcidas organizadas.

Maíra conta que o filho, que é torcedor do Brasiliense, tem o costume de ir a jogos na capital. No sábado, ele informou à mãe que iria ao amistoso e que não levaria o celular para evitar ser assaltado. “Ele gosta muito do Brasiliense e o time é aliado do Fortaleza. Quando eles vão a esses jogos, vão em um ônibus do time que tem escolta da polícia. O ponto de parada é no Serejão. Por ser perto de casa, ele e uma turma de dez amigos desceram no estádio e vieram andando”, relata.

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No caminho do estádio de Taguatinga até a casa, os amigos do adolescente tiveram a impressão de que eram seguidos por carros. “Me disseram que eram uns 12 carros, lotados. Com a confusão, os meninos correram para tentar fugir, só que meu filho foi atropelado. No chão, foi espancado”, lamenta a autônoma.

A briga aconteceu na altura da QNL 8. A Polícia Militar foi acionada para a ocorrência, mas, ao chegar ao local, a confusão tinha encerrado. Ali, nenhum dos vizinhos quis falar com os policiais para relatar e registrar a ocorrência. Já a Polícia Civil, até o fechamento desta edição, informou que não havia registros da briga no sistema.

Um vídeo circula nas redes sociais e mostra a rixa entre os torcedores. Nas imagens, é possível ver o momento exato em que o garoto atravessa a rua, correndo, e é atingido por um carro de cor escura. Outras imagens mostram torcedores soltando rojões. Relatos apontam que as torcidas também usaram facas para agredir outros torcedores.

Desacordado no hospital

A notícia de que o estudante de 18 anos estava machucado veio dos próprios amigos. “Minha mãe mora perto e eles correram para avisá-la”, aponta Maíra. O garoto foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Desde sábado, está desacordado. Sem informações, a família ainda não sabe precisar o estado de saúde.

“Ele não tem fratura. Está com a lateral direita do rosto machucada e com a cabeça toda ralada. Ele usa aparelho, então a boca está toda machucada. Já fizemos três tomografias, mas não dá nada nos exames. Está desacordado, sem reconhecer a gente”, completa a autônoma.

Reprodução

Efeito das agressões

Maíra dos Santos se preocupa com o fato de o filho estar desacordado. A equipe médica não teria dado nenhum tipo de sedativo, e ele não está entubado. “O médico disse que, por conta dos socos e chutes, ele está com os sentidos alterados. Ele tem só um pouco de noção. Quando estive com ele, eu falei que estava aqui, cuidando dele. Aí ele virou, olhou para mim com um olhar distante, como se não estive me reconhecendo. Tentava me responder, mas não conseguia”, lamenta.

Os pais do jovem foram registrar boletim de ocorrência ontem, no final da tarde. Na 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga), foram informados de que nem os agentes estavam sabendo da briga entre torcedores. “Não sabem dizer nada, nem sabiam que tinha acontecido o jogo. O delegado pediu que a gente fosse ao local para tirar foto que pudesse provar algo: uma freada de carro, poça de sangue, estilhaço das rojões”, conta o pai, Danilo Melo de Freitas. No boletim de ocorrência, o caso foi registrado como atropelamento seguido de lesão corporal.

Para o pai, a revolta não é somente porque o filho está machucado. “A gente fica preocupado. A revolta é a mesma se tivesse acontecido com qualquer pessoa. O ser humano perdeu o amor ao próximo”, lamenta Danilo.

Versão oficial

Em nota, a diretoria do Ira Jovem – torcida organizada do Gama – negou qualquer envolvimento de seus membros na confusão. “Ao término da partida, todos os torcedores do Gama foram contidos no estádio por quase uma hora para a saída dos torcedores do Fortaleza em segurança”, aponta.

Já a Facção Brasiliense sequer respondeu aos questionamentos da reportagem. Apenas afirmou que “ não tem o que comentar sobre, porque vocês (imprensa) só querem saber quando acontece algo do tipo”.


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